domingo, 19 de fevereiro de 2012

À minha menina

O que fizeram com você, minha menina?

Te cobriram de concreto,
Te tiraram o afeto

o horizonte
o verde
a vida
até a garoa...
Cade tua garoa, menina?

Te prenderam no cinza
Sufocaram teus sentidos
Te jogaram num abismo
De tempo torto, acelerado, partido

E mesmo com tanto maltrato,
tanto flagelo,
sei que ainda é viva, menina.
Debaixo dessa carapaça cinza,
sei que ainda pulsa!
Pulsa... Pulsa...
Pulsa com aquela intensidade tamanha
que apenas as gigantes podem.

E sentindo sua vida,
sentindo esse pulsar que me movimenta
Também eu me revisto do seu cinza
Também eu me faço de concreto.
Esfrio o sangue em minhas veias
e busco pulsar no ritmo que te impuseram.
me submeto ao que te submetem
e sinto algo de vivo esvair-me lentamente...

Não. Não fica triste menina...
Porque é assim.
É assim que a amo
te enxergando poesia tanta
e te percebendo
lenta e cruel
assassina minha de cada dia