A água salgada em ondas
Dissolve a areia por entre os dedos do meu pé.
Fisgo memórias misturadas a retalhos de concha.
A pérola em potência que nunca se concretizou...
Partiu-se em milhares
Não enriqueceu quem a encontrasse,
Não fez-se beleza de dama.
Mas virou mar.
Virou imensidão.
... em substituições momentâneas do papel e do lápis, confio alguns devaneios (tolos em sua maioria) a essa máquina com quem devo conviver por algumas horas durante meu dia... A priori é isso.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2019
terça-feira, 15 de janeiro de 2019
Posso ouvir o vento passar....
São tantas as vezes que busco abrigo nos anciões espíritos que habitam o não civilizado do mundo que me sinto eu mesma um espírito ancião. Me deslumbram as palavras, mas me deslumbra ainda mais aquele comunicar que não se faz por elas. Aquele estado de contemplação em que tudo é dito, ouvido e compreendido pelos poros da pele, pelo pulsar do sangue nos caminhos confusos desse corpo que habito. As palavras poluem demais meus pensamentos. Tantas vezes quero apenas sentir. Sentir para onde caminha essa abstração que chamo de vida, sentir a existências de tantas outras pulsões humanas, tantas milhões que estão ali, ao alcance da minha visão, comandando a sinfonia de luzes que avisto da minha varanda. Queria apenas sentir-me. Viver-me. E sentí-los e vivê-los nessa comunhão louca que o vento me traz nesses raros momentos que me parecem tão lúcidos, ainda que intraduzíveis. Os seres humanos conseguem ser tão desprezíveis.... Mas como podem ao mesmo tempo ser tão encantadores? Cada vida tão preenchida de tantas histórias, de tantos significados... e cada existência um milagre virando poeira na multidão que nos consomem. Não nos vemos, perdemos o valor para nós mesmos... E a onda de ódio gratuito que cresce a cada caractere dolorido jogado no vazio de um texto que se prolonga em caminhos não elaborados que ninguém vai ler... São tantas possibilidades se concretizando ao mesmo tempo em um tão frágil e uno coração
Navegando no asfalto
Pela turva janela do busão às vezes penso que sonho.
Penso que deliro
Que navego por nuvens nunca antes navegadas
O calor do motor me entorpece
O balanço morno me remete a algum útero torto
Roto e enlatado
Bruto, enclausurado
A mente divaga
Transitando louca entre o aperto que mata.
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