Celebremos a presença do amor!
Do excesso de amor represado e revolto.
Transbordante. Inquieto.
Reivindicando um destino.
Brindo a intensidade desmedível desse amor indedicado a criatura qualquer!
Brindo a todas as vezes que ele se doou a relações inexistentes!
A todos os afagos imaginários e solitários de um coração que amou demais e recebeu de menos.
Brindo a todos os amados que jamais souberam de seus papéis nessa novela. Igualmente brindo a todos que participaram do casting e não foram aprovados. E àqueles que desistiram do job no segundo dia de filmagem.
Brindo também àqueles que fizeram desse amor seu parquinho, prometendo nele fazer morada, mas partindo antes do lanche da tarde.
Brindo e celebro. E danço embriagada sobre o cadáver do meu passado.
Bailamos nossa última dança. Despeço-me do mausoléu. Nua da carne de meu corpo. Veias abertas e expostas. Fartas. De cansaço e abundância.
Sem rumo certo, quero apenas caminhar sob o sol, me banhar de mar e tocar o tangível concreto que o mundo me apresentar. De resto ficam apenas as cinzas desse defunto passado boiando na espuma das ondas que já caminham distantes do meu horizonte.