Eu sinto a lágrima querendo chegar, mas presa no trânsito de São Paulo.
Atrasada. Mais uma vez. Perdeu o ponto. Passou do ponto e evaporou. Perdida por aí... Mas é São Paulo né? Ninguém desvia seu caminho para trazê-la de volta. A cidade não pára... A cidade não! Pára! Me descola um pedaço de mato pra me deitar! E um tanto de tempo pra poder esperar. Deixa tempo pra ela chegar. No seu pingar. Pinga. Pinga. Pinga. Esvai... Escorre pelo meu queixo e corre livre pelo vão do meu peito. Faz-se leito. Deita. Sente a terra. Vira a terra. Molha a sede do deserto que você cultivou aqui. Deixa fluir. Flue junto. Faz da lágrima teu rio, que eu te empresto uma canoa... Mas vai! Vai de pressa antes que a lágrima seque. Porque se ela secar, não tem mais como vc partir. Ah não ser partindo as terras áridas deste coração...