A lágrima ficou presa na garganta, e o pobre do grito, bastante perdido no percurso, acabou por parar no estômago!
Demorou que ele entendesse onde é que o tinham enfiado... Sempre que o empurravam para fora, não costumava dar nem tempo de iniciar a cronometragem e já estava em campo aberto! Voando na velocidade de um foguete-bala! Mas, dessa vez.... Ele sentiu a mesma velocidade de sempre, mas não não reconhecia a paisagem pela qual ia sendo jogado... Antes, era sempre um túnel escuro por milésimos de segundo que ele nunca conseguiu contar, e depois, a luz! Fosse a do dia, ou da noite. Saísse ele dentro de uma casa, uma escola, uma sapataria, uma lanchonete, em um campo de futebol, ou no mangue. Não importa. Era sempre espaçoso lá fora... Quer dizer, dessa vez não era! Dessa vez era túnel escuro atrás de túnel escuro, batidas cegas em lugares úmidos. Começou a ficar com medo. Batia aqui, batia acolá... Como haveria de se esquivar? Começou a inchar. E de inchaço em inchaço, de centímetro em centímetro, dilatando sempre mais e mais... e mais... e ainda um pouco mais... Parece que encontrou liberdade em um estouro. Mas não viveu o suficiente para contar história.