Revisitar alguns momentos do passado me fazem sentir que muita coisa faz parte de outra vida. Ou que foi tudo parte de um sonho muito estranho.... um sonho daqueles em que muitas vezes, parece não ser sonhado por você. Confuso? Já parou pra analisar de leve alguns momentos muito distantes (em tempo e em realidade sua atual) e teve a impressão que ali, naquele momento, aquela pessoa que viveu tudo aquilo não era você? Pois é... Aquela pessoa não parece ter sido eu...
Será que a gente muda tanto assim a ponto de não se reconhecer? Ou será que a gente é uma semente, ainda dentro de um casulo social moldado por nossa família e comunidade.... uma lagartinha dentro de um casulo de aparências criadas por outras pessoas... só digerindo tudo de que se alimentou por anos, elaborando, questionando, esperando o momento certo de romper a máscara e se ser quem realmente nascemos para ser, quem realmente somos... Isso tudo em meio a uma constante construção desses conceitos de nós mesmos...
Algumas coisas ainda identifico de mim....Essas coisas podem ser genuinamente minhas, ou uma herança de criação que me agrada, e eu acabei aderindo esse acessório a meu look contemporâneo, vai saber... Mas ainda olho e me parece tanto outra pessoa.... Uma pessoa tão distante que eu nem sei se teria como amiga! Também não sei se ela iria me querer em tal posição. Estranho. Como a gente pode se tornar algo que já nos causou repulsa... Mas causou mesmo? Se causasse mesmo, não teríamos trilhado esse caminho, certo? Quem se jogou nessa direção foi essa menina que não reconheço, afinal. Ela quem rompeu com todos aqueles conceitos de moralidade que ela pregava com tanto afinco. Ela que terminou relações, saiu de núcleos sociais, visitou outros, evitou alguns casamentos que na visão de mundo que ela propagava teriam sido convenientes a beça. Ela largou tudo que era conveniente para seu discurso, e na época, ela nem sabia muito porque. Eu desconfio dos motivos... Eu agradeço a coragem dela. A coragem de se jogar no vazio sem saber o que a espera. Confiando apenas em uma coisa tão imprecisa como a intuição.
Gratidão menina. Venha cá me dar um abraço. Aquela voz era sua. Era nossa. Sempre foi. A coragem de se lançar ao espaço sem chão é o que te fez ganhar suas próprias asas e voar. Não importa para que direção, não importa se não há aprovação de pessoas que já te foram ou são tão caras. Esse voo é seu! Não lamente as perdas do caminho. O que não pode carregar era peso que te impediria de voar. O que era de seu destino vai voar junto com você. Acredite. Acredite nessa voz que é sua, que é nossa. Acredite mais uma vez. Porque nessa vida, não se vira borboleta só em um momento não. É um ciclo. É como a lua que te rege. É como seu corpo. Se prepare para sair do casulo mais uma vez. Segura minha mão e me dá a coragem que você teve para eu também me atirar sem garantias. Me ensina a voar.