Ele provavelmente descende de algum deus nórdico com algum deus africano. Uma mistura inexata daquela força viril com uma magia ancestral... Intenso, profundo, intraduzível. Olhos de tempestade. Magnéticos e avassaladores. Emana uma força animalesca, mas rompe o silêncio com palavras em estado de poesia bruta. É belo... mas esquivo. Não se deixa tocar. Mas não te deixa ir embora tampouco. Sente o cheiro do seu desistir e isso desperta o caçador que carrega em si. Mas o espírito de caça é de felino a se entreter. Não pretende matar, não embosca para comer. Traz a presa de volta ao calor de sua respiração e brinca com ela, sedutor que só.
Mas ele está mirando a vítima errada. Também tenho ascendência divina... Carrego o poder de deusas antigas em meu útero. Flagrei suas não intenções já faz tempo...
Esse navio pertence ao mar. Pertence a um eterno derivar. Minha existência flui pelo corpo de Iemanjá. Minhas trilhas são traçadas de imensidão, costuradas pelo acaso com fios de destinos incertos...
Te convido a embarcar, mas não faço morada no cais a te esperar. Vou com o vento, e tal o vento, não sou passível de aprisionamento.