Porque eu não consigo segurar as coisas?
Não estou falando de possuir... Nunca foi esse o verbo.... Estou falando de... Estar. Porque é tão difícil estar? As coisas se esvaem da minha presença. Não todas, mas as que eu aprecio, fundamentalmente. As coisas que eu aprecio paracem esvair-se de mim de tempos em tempos. Não permanecem. Não conseguem estar em mim. Digo coisas pois os olhos marejam se usar o termo pessoas...
Deixar ir é um dom. Um dom. Queria aprendê-lo em algum livro, pois tudo que vai, para mim permanece. E ocupa tanto espaço... E eu vivo de permanências... Das permanências que vou costurando na minha pele ao longo dos anos de vida. Costuro com fios de solidão, e cada vez que costuro, ela se torna a única coisa de verdadeiramente material que carrego. A tão lembrada, querida e presente ... solidão.