segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Faxina

Deixar o vazio entrar. Se instalar, ficar a vontade. 

Preparar um café para a ausência que se apresenta. Abraçá-la. Fazer morada em seu peito. Chorar tudo o que não me serve mais. Chorar até desaguar no mar. Virar imensidão. O todo. O nada. De mãos dadas pelos campos ardilosos do acaso. Já estive aqui antes, sei navegar nas suas águas. Também sou água, sabia? Se me perco em teu infinito é pra encontrar-me. Sentir-me mais eu. De novo infinito. De novo impossível, irrefreável. 

Não se pode guardar o mar na térmica da sua lancheira. Eu não caibo. Eu não quero caber. Eu não consigo mais me apequenar. Meus braços alçam voo no meu corpo que é infinito. Também já fui vento, sabia?