Queria falar sobre o fogo. O fogo que seu toque faísca acendeu em minha pele e fez de mim criatura-fogueira-labareda. Incandescente. Indecente.
Por baixo da fina seda me arde uma sede insaciável. Incansável sina de se querer o toque que não se pode ter. Não se sabe ser...
Esse fogo não cessa. E de incessar passou a consumir. Tão avassalador que atravessa o corpo, já não cabe em mim. Deixou meu quarto em cinzas, abalou a estrutura da casa. Ameaça a cidade. Está a passear por aí, já tem corpo próprio. Quem sabe em suas andanças esbarre assim sem querer em você... Quem sabe te reconheça enquanto criador... Ou se tenha transformado em besta fera tão irracional que venha a te consumir também. E que a labareda-criatura-besta-fera ao te consumir, enquanto ainda me devora, nos torne um só, no mesmo fogo, mesmo desejo contido que, por firm, queima e nos consome em nós-um-só-corpo que viramos em meio ao incêndio.