terça-feira, 20 de novembro de 2018

Monotonia

Monotonia
Mono-tonos. Des-tonos. Apatia.
Chuva caindo seca e fria
Cresce calada minha agonia
Afia sua lámina mórbida, me desafia

Desafina a menina....

Desvia. O olhar. O rumo. O prumo. 

Desvia! 
Joga para aquela esquina, 
está vazia! 
Melhor do que bater a cara no chão, desmantelar seu coração...

Não. Você não está pronta para isso não....
Desencana... Desencanta! 
Descansa, que o caminho é longo. É de pedras. É de partidas. 
E sua aorta ainda bate cansada em plena arritimia...
Está fraca... abatida...
Mas lá fora o povo grita:
Mostra sua cara!!! 
Mostra sua casa! Sua vida! 
Desfila suas crenças!
Me vende seus medos, suas crises, suas crias! 
Inclua o seu peito aberto em meu cardapio de alegrias, de alergias
Um like, um dislike, um destaque de alegorias! 

Chega! Basta de gritaria!
Basta de patifarias.
Quero apenas ser-me em meio ao caos dessa romaria.

Ser-me assim, no silêncio e no escuro
Sem filtros, sem escudos.
Meus medos e anseios escritos na areia de uma praia deserta
Minha vida escrita em tinta branca sobre um caderno velho qualquer....

O mundo não precisa saber-me
Não há espaço nessa passarela
para quem não sabe desfilar com seu seleto conteúdo exposto.
Prefiro meu poço.
Se quiser mesmo descobrir, tem que mergulhar seu moço.
E olhar muito fundo no olho.


Sem compromisso com uma escrita....

Olho no espelho
Fundo em meus próprios olhos procurando minha alma... Quase me perco nesses caminhos. Eu só queria trocar uma ideia, ver se está precisando de alguma coisa.... quer dizer, eu já sei que precisar precisa... Eu sinto. Eu sintos os tremores das ondas sonoras de sua voz gritando aqui dentro, clamando por socorro. Mas falta clareza! Que socorro é esse? Me deixa te encontrar. Preciso desse encontro com minha própria alma, preciso vê-la, preciso ouvi-la. Preciso saber como amansar essa aflição que se instalou em nosso abismo. 

A solidão tem algo de essencial em mim. No sentido de essência mesmo. Solidão, minha velha amiga, faz parte da minha composição química, sempre assim soubemos. Mas há algo de incomodo nela agora. No meio desse processo louco de tentar juntar minhas partes partidas, algo não está encaixando. Eu e a solidão estamos nos desentendendo.... E como não poderia deixar de ser, como manter a sanidade quando nos desentendemos com uma parte tão fundamental de nossa própria essência? Como ficamos de pé em meio a luta com nossas pedras fundadoras, com nossas estruturas? Como não desabar? E como desabar quando não se pode? O que sobraria de mim se me permitisse desabar? Quem recolheria meus caquinhos? Quem seguraria uma cama elástica para amparar minha vida pulando do prédio em chamas numa tentativa louca de auto preservação? 

De repente é por aqui que começa a fazer um pouco de sentido o nome desse blog.... Devanear é mais por aqui do que por outros caminhos que eu andava percorrendo... Devanear é não ter o compromisso de se manter em um mesmo tema, em uma mesa abordagem ao longo de um mesmo texto. Afinal, nosso âmago pulsa em uma infinidade de sentidos e direções diferentes ao mesmo tempo. 

I´m not ok. Eu sei. Só não sei o que fazer com esse conhecimento. 


Precisava de um pedaço de mar. O mar também me é essencial. Mas as vezes sinto que ele escorreu por entre minhas rachaduras e não mais me habita. E sem mar... o que eu sou? Por mais insolita que seja, a água é o elemento que me mantem em pé. De onde vou tirar meu sustento? 

Mas viver não é preciso. Não é mesmo. Como haveria de ser?

Até as palavras tem se afastado de mim.... Inamável. Foi esse o termo que usei para me referir a mim mesma em um ultimo texto. Talvez eu esteja inamável especialmente para mim mesma, e por isso minha essência se dissolve lenta e cruelmente, escapando por entre meus dedos trêmulos, vazando tal areia na ampulheta a anunciar meu fim....

Já basta por hoje. Por hora. Por anos talvez! Ninguém lê isso aqui! Qual o sentido de escrever? Essa escrita vômito que não tem abrandado minha bulimia de viver.... Ahhh!!! Quanta bobagem em tão poucas linhas.... Quantas linhas em tão pouca existência.... 

Mas existir é preciso. Re - existir. Resistir! 

Avante camaradas. And that´s how we do a true devaneio! 

sábado, 4 de agosto de 2018

Devaneios de uma professora de artes


Essa intensa e destruidora necessidade de criar/encontrar/descobrir/inventar sentidos nas coisas é possivelmente uma das características que mais nos faz propriamente humanos. Nossa nessecidade de estabelecer sentidos, explicações lógicas e mitológicas para as coisas. 

Nós insistimos em definir. Em explicar. Seja de maneira cientificista, seja no abstrato da metafísica. Essa tal coisa de ser racional, não nos basta seguir os instintos e apenas ser (como aparentemente basta aos outros animais). Precisamos de um significado para a existência, buscamos o tal do sentido das coisas.... 

Mas as coisas, já diria o poeta, são apenas as coisas. Elas não possuem esse sentido que incansavelmente buscamos... 

A arte existe para acalentar nossas frustrações em meio a todo esse processo. É lugar seguro para criar o universo. Simbolos, signos, metáforas, imagem, som, cheiro, cena, corpo.... A gente se reinventa, reinventa a realidade, cria, experimenta essa brincadeira de ser deus, e temos aí a grande chance de sublimar esse oceano obscuro de sentires que vão além do que as palavras que utilizamos para comunicação não dão conta de expressar. 

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Sobre se reinventar

Não sei ao certo o caminho desse processo, mas ele sempre acaba por me esbarrar em alguma esquina. E seguimos juntos, meio que por falta de opção ou de outra companhia. Fazemos aquele leve levantar de sobrancelhas e um certo "Opa, você por aqui! Quanto tempo?". Logo no damos as mãos e seguimos. Eu e esse tal processo de se reinventar...
A gente fica um tempo afastado, mais por culpa minha do que dele. Finjo ou acredito que não preciso mais dele e vou deixando ele pra lá... paro de responder suas mensagens, suas ligações. Paro até mesmo de visualizar o que me manda para não ter o risco dele me cobrar dos dois risquinhos azuis sem resposta. Mas ele é bem compreensivo e logo deixa de me procurar quando nota minha ausência proposital...
Compreensivo e um fofo! Completo! Ele fica afastado, mas sempre disponivel. Está sempre lá! Online, celular ligado, porta da casa aberta para me receber. E eu, criatura bruta, nunca respondo seus convites para um chá das cinco (acho que esse meu processo é meio inglês... um charme!)
Não. Nunca vou de boa, preparada para passar por ele, consciente. É sempre o acaso que me joga em seus braços. Aquele encontro desengonçado em alguma esquina... Desengonçado, ao acaso, mas sempre intenso. Pronfundo. Nos damos as mãos, os braços, os peitos, os pensamentos, os sentimentos, as lágrimas...  De repente tudo se revela pesado... e ao mesmo tempo, tudo fica leve, porque finalmente estamos juntos. Eu e esse processo... ele e eu... ele que sou eu, que é uma parte tão fundamental de mim mesma, embora tão negligenciada. Fica pesado porque são longas temporadas fingindo que não preciso dele que sou eu... Mas tem aquele cheirinho de casa, sabe? Aquela sensação de lar? Aquele poder tirar os sapatos apertados e molhados, tomar um banho quente e me aconchegar naquela cama abrigo. Ah! Em meio a tantas confusões, conflitos, carências e crises... como é bom respirar-me de novo!