terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Borda

Eu quis a borda.
Eu quis também poder estar na borda.
Eu quis também estar na borda pra poder ficar do seu lado e segurar sua mão. Pra você não se sentir tão sozinho.
Eu quis também estar na borda pra passar seu braço pela minha cintura. Pra eu não me sentir tão sozinha, tão vazia de você.
Eu quis também estar na borda, olhar pra baixo e entender sua vontade de pular.
Eu quis também estar na borda, porque estar perto de você me transborda de meu próprio ser. Quem sabe assim eu não pudese inundar em mar pra você querer nadar ao invés de cair?
Eu também quis estar na borda, atravessar a porta, encarar o abismo e nisso tudo procurar um sentido...
Eu também quis estar na borda...
Eu quis também estar na borda, mas já não importa. Você saiu pela porta, virou em uma rua tão torta que eu já não sei mais te acessar.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Fome

A fome é tanta, que não basta tê-la, há que se compartilhá-la. 
A danada é meio assim, daquele jeito, começa pelas beiradas, e aos poucos, se não atendida, vai te consumindo lentamente, com uma ferocidade que se potencializa gradualmente. Pelo menos assim deveria ser, assim ouço que é o usual. O bixo fome que me habita, porém, tem suas próprias artimanhas. É bixo quieto, manso, que não gosta de dar alarde. Se finge de morto para ganhar mais espaço, e quando eu dele me apercebo, já ganhou tanto espaço, mas tanto espaço, que eu já nem sou-me mais. Sou pura fome. E não pensem que passa com pãozinho não! Minha fome é danada de ampla. Ela não quer só comida, ela quer a vida. Minha fome é esfomeada do mundo! É fome de som, de cheiro, de toque. É fome de vazio tão imenso.

No hay Prazo de Validade

Queria aprender com você a atribuir um prazo de validade até para as pessoas... Mas não funciono nessa lógica. Não há espaços para datas de validade dentro de mim. Ou talvez meu corpo seja feito para ser resistir a qualquer produto vencido. Ele continua a absorver e se nutrir daquilo que talvez já devesse ter expirado. Vai entender....