Meu amor... Não tente me entender prosa que você pode se perder em queda livre por entre emaranhados de combinações improváveis e incabíveis de palavras. Sou poesia.
Não me queira linear e racionalizável. Sou escrita automática brotando dos sonhos de um surrealista embriagado.
Não me queira ler em fatos despretensiosamente num domingo de manhã. Meus versos são livres e correm soltos num campo imagético sem padrões estabelecidos.
Não me queira pintura barroca, angelical e feita para apreciação de seus olhos. Sou dadaísta, e talvez você só enxergue um mictório se não souber ler atitudes.
O concreto que corre em minhas veias brota das ruas do caos. Dos meus pulmões envenenados por infindas toxinas jorram gritos de desespero inaudíveis aos parnasianos. Meu coração habita a deriva. Se quiser embarcar nesse navio ingovernável, entenda. Eu sou esse tipo de poesia.