sábado, 4 de agosto de 2018

Devaneios de uma professora de artes


Essa intensa e destruidora necessidade de criar/encontrar/descobrir/inventar sentidos nas coisas é possivelmente uma das características que mais nos faz propriamente humanos. Nossa nessecidade de estabelecer sentidos, explicações lógicas e mitológicas para as coisas. 

Nós insistimos em definir. Em explicar. Seja de maneira cientificista, seja no abstrato da metafísica. Essa tal coisa de ser racional, não nos basta seguir os instintos e apenas ser (como aparentemente basta aos outros animais). Precisamos de um significado para a existência, buscamos o tal do sentido das coisas.... 

Mas as coisas, já diria o poeta, são apenas as coisas. Elas não possuem esse sentido que incansavelmente buscamos... 

A arte existe para acalentar nossas frustrações em meio a todo esse processo. É lugar seguro para criar o universo. Simbolos, signos, metáforas, imagem, som, cheiro, cena, corpo.... A gente se reinventa, reinventa a realidade, cria, experimenta essa brincadeira de ser deus, e temos aí a grande chance de sublimar esse oceano obscuro de sentires que vão além do que as palavras que utilizamos para comunicação não dão conta de expressar. 

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Sobre se reinventar

Não sei ao certo o caminho desse processo, mas ele sempre acaba por me esbarrar em alguma esquina. E seguimos juntos, meio que por falta de opção ou de outra companhia. Fazemos aquele leve levantar de sobrancelhas e um certo "Opa, você por aqui! Quanto tempo?". Logo no damos as mãos e seguimos. Eu e esse tal processo de se reinventar...
A gente fica um tempo afastado, mais por culpa minha do que dele. Finjo ou acredito que não preciso mais dele e vou deixando ele pra lá... paro de responder suas mensagens, suas ligações. Paro até mesmo de visualizar o que me manda para não ter o risco dele me cobrar dos dois risquinhos azuis sem resposta. Mas ele é bem compreensivo e logo deixa de me procurar quando nota minha ausência proposital...
Compreensivo e um fofo! Completo! Ele fica afastado, mas sempre disponivel. Está sempre lá! Online, celular ligado, porta da casa aberta para me receber. E eu, criatura bruta, nunca respondo seus convites para um chá das cinco (acho que esse meu processo é meio inglês... um charme!)
Não. Nunca vou de boa, preparada para passar por ele, consciente. É sempre o acaso que me joga em seus braços. Aquele encontro desengonçado em alguma esquina... Desengonçado, ao acaso, mas sempre intenso. Pronfundo. Nos damos as mãos, os braços, os peitos, os pensamentos, os sentimentos, as lágrimas...  De repente tudo se revela pesado... e ao mesmo tempo, tudo fica leve, porque finalmente estamos juntos. Eu e esse processo... ele e eu... ele que sou eu, que é uma parte tão fundamental de mim mesma, embora tão negligenciada. Fica pesado porque são longas temporadas fingindo que não preciso dele que sou eu... Mas tem aquele cheirinho de casa, sabe? Aquela sensação de lar? Aquele poder tirar os sapatos apertados e molhados, tomar um banho quente e me aconchegar naquela cama abrigo. Ah! Em meio a tantas confusões, conflitos, carências e crises... como é bom respirar-me de novo!