Essa intensa e destruidora necessidade de criar/encontrar/descobrir/inventar sentidos nas coisas é possivelmente uma das características que mais nos faz propriamente humanos. Nossa nessecidade de estabelecer sentidos, explicações lógicas e mitológicas para as coisas.
Nós insistimos em definir. Em explicar. Seja de maneira cientificista, seja no abstrato da metafísica. Essa tal coisa de ser racional, não nos basta seguir os instintos e apenas ser (como aparentemente basta aos outros animais). Precisamos de um significado para a existência, buscamos o tal do sentido das coisas....
Mas as coisas, já diria o poeta, são apenas as coisas. Elas não possuem esse sentido que incansavelmente buscamos...
A arte existe para acalentar nossas frustrações em meio a todo esse processo. É lugar seguro para criar o universo. Simbolos, signos, metáforas, imagem, som, cheiro, cena, corpo.... A gente se reinventa, reinventa a realidade, cria, experimenta essa brincadeira de ser deus, e temos aí a grande chance de sublimar esse oceano obscuro de sentires que vão além do que as palavras que utilizamos para comunicação não dão conta de expressar.