domingo, 7 de dezembro de 2014

Fome

A fome é tanta, que não basta tê-la, há que se compartilhá-la. 
A danada é meio assim, daquele jeito, começa pelas beiradas, e aos poucos, se não atendida, vai te consumindo lentamente, com uma ferocidade que se potencializa gradualmente. Pelo menos assim deveria ser, assim ouço que é o usual. O bixo fome que me habita, porém, tem suas próprias artimanhas. É bixo quieto, manso, que não gosta de dar alarde. Se finge de morto para ganhar mais espaço, e quando eu dele me apercebo, já ganhou tanto espaço, mas tanto espaço, que eu já nem sou-me mais. Sou pura fome. E não pensem que passa com pãozinho não! Minha fome é danada de ampla. Ela não quer só comida, ela quer a vida. Minha fome é esfomeada do mundo! É fome de som, de cheiro, de toque. É fome de vazio tão imenso.

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