São tantas as vezes que busco abrigo nos anciões espíritos que habitam o não civilizado do mundo que me sinto eu mesma um espírito ancião. Me deslumbram as palavras, mas me deslumbra ainda mais aquele comunicar que não se faz por elas. Aquele estado de contemplação em que tudo é dito, ouvido e compreendido pelos poros da pele, pelo pulsar do sangue nos caminhos confusos desse corpo que habito. As palavras poluem demais meus pensamentos. Tantas vezes quero apenas sentir. Sentir para onde caminha essa abstração que chamo de vida, sentir a existências de tantas outras pulsões humanas, tantas milhões que estão ali, ao alcance da minha visão, comandando a sinfonia de luzes que avisto da minha varanda. Queria apenas sentir-me. Viver-me. E sentí-los e vivê-los nessa comunhão louca que o vento me traz nesses raros momentos que me parecem tão lúcidos, ainda que intraduzíveis. Os seres humanos conseguem ser tão desprezíveis.... Mas como podem ao mesmo tempo ser tão encantadores? Cada vida tão preenchida de tantas histórias, de tantos significados... e cada existência um milagre virando poeira na multidão que nos consomem. Não nos vemos, perdemos o valor para nós mesmos... E a onda de ódio gratuito que cresce a cada caractere dolorido jogado no vazio de um texto que se prolonga em caminhos não elaborados que ninguém vai ler... São tantas possibilidades se concretizando ao mesmo tempo em um tão frágil e uno coração
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