sexta-feira, 5 de maio de 2023

Eu sou poesia

 Meu amor... Não tente me entender prosa que você pode se perder em queda livre por entre emaranhados de combinações improváveis e incabíveis de palavras. Sou poesia.


Não me queira linear e racionalizável. Sou escrita automática brotando dos sonhos de um surrealista embriagado.

Não me queira ler em fatos despretensiosamente num domingo de manhã. Meus versos são livres e correm soltos num campo imagético sem padrões estabelecidos.

Não me queira pintura barroca, angelical e feita para apreciação de seus olhos. Sou dadaísta, e talvez você só enxergue um mictório se não souber ler atitudes.

O concreto que corre em minhas veias brota das ruas do caos. Dos meus pulmões envenenados por infindas toxinas jorram gritos de desespero inaudíveis aos parnasianos. Meu coração habita a deriva. Se quiser embarcar nesse navio ingovernável, entenda. Eu sou esse tipo de poesia.

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